Você já sentiu que anda mais distraído? Mais irritado? Sua memória parece mais fraca ou seu tempo anda curto demais? A vida está mais corrida? Muito provavelmente, você está sofrendo os efeitos do brainrot.
Mas vamos com calma: o que é esse tal de brainrot?
Brainrot (que pode ser traduzido como “apodrecimento” ou “atrofia cerebral”) foi eleito o termo do ano pelo dicionário Oxford, pelo seu impacto cultural e midiático em 2024. Ele descreve o efeito de um cérebro condicionado a consumir apenas informações muito curtas e fáceis, o que torna cada vez mais difícil focar ou realizar atividades que exigem atenção prolongada.
Tudo na nossa vida é prática. Nosso cérebro aprende por repetição. Se você dirige, lembra como no início parecia complicado? Três pedais, marchas, atenção ao trânsito… Mas depois de algumas semanas, dirigir se torna natural. Você consegue até ouvir música, cantar junto, conversar — tudo ao mesmo tempo.
Perceba: foram semanas de prática, tempo e atenção investidos.
Agora, sem olhar o celular: quantos stories, reels ou posts você viu hoje? Quantos deles você realmente lembra? Eu, por exemplo, tenho mais de 400 receitas salvas no Instagram com o pensamento “um dia vou fazer isso” — e se eu fiz cinco, foi muito.
Alguns efeitos do brainrot:
- Perda de foco
- Perda de atenção
- Perda de memória
- Falta de paciência
- Falta de motivação
- Aumento do estresse
- Procrastinação
- Problemas no trabalho e nos relacionamentos
- Agravamento de ansiedade e depressão
Se você se identifica com alguns desses sinais, vamos conversar um pouco sobre hábitos.
Segundo dados do G1, o brasileiro passa, em média, 9 horas e meia por dia conectado a telas — atrás apenas da África do Sul. Em 2024, a palavra mais pesquisada no Google no Brasil foi “ansiedade”, que já é considerada patológica em 9,3% dos brasileiros, segundo a OMS.

Tudo o que consumimos e produzimos online está integrado: redes pessoais, profissionais, conteúdo que alimentamos constantemente em busca de engajamento, curtidas, coraçõezinhos nos stories. Essas recompensas imediatas, porém esquecíveis, oferecem gratificação instantânea com mínimo esforço. Resultado? Não conseguimos mais ouvir uma música sem “aproveitar” para fazer outra coisa, nem assistir a uma série sem o celular na mão. A série nos assiste, enquanto vira apenas um som de fundo. Você anda revendo FRIENDS ou outras séries de conforto porque está difícil se concentrar em coisas novas?
O seu cérebro precisa de foco e descanso. Hoje, estamos condicionando a mente a querer tudo de imediato, como crianças impacientes. Isso nos deixa muito mais estressados diante de qualquer pequena frustração.
Ah, então eu devo largar o Instagram e as redes sociais?
Calma. As redes sociais hoje funcionam como uma droga legal, como o álcool ou o tabaco. Elas liberam hormônios que nos deixam dopados, levemente felizes. Usar moderadamente é possível — mas entender o problema é o primeiro passo.
O segundo passo é começar, aos poucos, a diminuir o uso. O próprio Instagram tem um limitador de tempo nas configurações, que te avisa quando você está usando demais. Você define seu limite — e ele não vai te proibir de continuar, mas vai te dar um alerta. Quando eu ativei isso pela primeira vez, tomei um choque: da minha perspectiva, tinham passado 5 minutos, mas o app mostrou que eu já estava ali há 45.
Hoje, mantenho meu limite diário em 30 minutos. Quando o aviso aparece, eu paro. Mais tarde, posso voltar, mas já com aquele “peso na consciência”. E esse peso é ótimo: me levou a buscar novos hábitos e reativar antigos. Voltei a ler, praticar esportes, caminhar, jogar tabuleiro, assistir séries sem o celular na mão. Conversar com amigos, cozinhar, brincar com meu pet — e fazer tudo isso sem precisar filmar para postar.
É difícil? Sim.
Mas vale a pena.
Sobre o nosso convidado – quem escreveu essa newsletter para você:
Meu nome é Glauber Carvalho, mais conhecido como Galu. Sou proprietário do curso de inglês Super English, que atende alunos de todas as faixas etárias, mas principalmente adultos com foco no mercado de trabalho e procurando sua independência de aplicativos de tradução. Também sou gestor de projetos e analista de gamificação na NEKI, empresa de tecnologia do Serratec. Além disso, promovo um evento mensal em Petrópolis com o objetivo de expandir a cultura dos jogos de tabuleiro como ferramenta de socialização.
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Texto original Polinizando
