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Como a fantasia de Juliana Paes pela Dolce & Gabbana reescreveu as regras do luxo no Carnaval

abril 29, 2026

QUANDO O BARROCO ITALIANO ENCONTROU A BATERIA DA SAPUCAÍ

Boa noite!

Quinta-feira, eu abri o Instagram e dei de cara com uma imagem que me fez pausar o café:

Juliana Paes cruzando a Sapucaí coberta de cristais, veludo vermelho e uma coroa de três estrelas. Dolce & Gabbana assinando a fantasia.

Dolce. & Gabbana.

Uma maison italiana conhecida por vestir Madonna, Beyoncé e tapetes vermelhos de Cannes, criando, pela primeira vez na história, uma fantasia de Carnaval brasileiro.

Não foi camarote VIP. Não foi logo discreta na asa. Foi 250 horas de trabalho manual, 13 artesãos, parceria exclusiva com a Unidos do Viradouro.

E eu pensei: isso não é só uma fantasia. É um manifesto.

QUANDO O LUXO ENTENDE O CÓDIGO CULTURAL

Vamos combinar uma coisa: o Carnaval sempre foi luxuoso.

As fantasias da Sapucaí custam fortunas. Têm bordados à mão, pedrarias, plumas raras. Algumas levam meses para ficarem prontas, envolvem dezenas de artesãos.

Então por que uma grife italiana decidir assinar uma fantasia é TÃO relevante?

Porque validação simbólica importa.

Quando a Dolce & Gabbana — marca que construiu seu DNA em cima do barroco siciliano, da teatralidade católica, do maximalismo como linguagem olha pro Carnaval e diz “isso aqui fala a nossa língua”, ela não tá só vestindo uma celebridade.

Ela tá reconhecendo o Carnaval como território de alta cultura visual. E isso muda tudo.

A DOLCE & GABBANA E O DNA DO EXCESSO CALCULADO

Deixa eu te contar uma coisa sobre a D&G que poucos param pra pensar:

Domenico Dolce nasceu em Polizzi Generosa, Sicília. Filho de alfaiate. Cresceu vendo o pai costurar ternos sob medida, a mãe trabalhando com tecidos.

Stefano Gabbana nasceu em Milão. Família operária. Estudou artes gráficas antes de descobrir a moda.

Quando se conheceram em 1980, perceberam que compartilhavam algo raro: paixão pelo barroco sem vergonha.

Na época, a moda italiana era Armani (minimalismo sofisticado), Versace (glamour ostensivo mas geométrico). A Dolce & Gabbana chegou em 1985 propondo outra coisa:

→ Corsets usados como roupa (não lingerie)

→ Rendas densas inspiradas em viúvas sicilianas

→ Referências religiosas (santos, terços, cruzes) como estética

→ Alfaiataria estruturada + sensualidade explícita

Era teatro vestível.

E o mundo da moda ou amou ou odiou — mas nunca ignorou.

Nos anos 90, Madonna escolheu D&G pra turnê mundial. Não foi por acaso. Foi porque a marca entendia performance. Entendia que roupa é narrativa, não apenas tecido.

O QUE O CARNAVAL TEM A VER COM TUDO ISSO?

TUDO.

O Carnaval brasileiro é, essencialmente, barroco em movimento.

Pensa comigo:

→ Excesso como linguagem: quanto mais brilho, melhor

→ Drama visual: fantasias que parecem esculturas humanas

→ Narrativa simbólica: cada elemento conta uma história

→ Artesanato de altíssimo nível: bordados que levam meses

→ Teatralidade coletiva: o desfile É performance

Isso não te lembra exatamente o que a Dolce & Gabbana faz há 40 anos?

A diferença é que na Itália isso acontece em desfiles de Alta Sartoria apresentados em templos gregos na Sicília, com público de 200 milionários.

No Brasil, acontece na Sapucaí, com 70 mil pessoas na arquibancada e transmissão global.

Mesma linguagem. Escala diferente.

E a D&G entendeu isso.

OR QUE ISSO É HISTÓRICO (E NÃO APENAS CARO)

Tem três camadas de significado aqui que a maioria das pessoas não percebe:

1. VALIDAÇÃO CULTURAL

Quando uma grife global de luxo cria uma peça exclusiva pro Carnaval, ela tá dizendo: “Isso aqui não é ‘festa popular menor’. É manifestação cultural de ALTÍSSIMO nível.”

Isso muda a percepção internacional do Carnaval brasileiro.

2. DIÁLOGO ESTÉTICO VERDADEIRO

A D&G não tentou “tropicalizar” seu estilo. Não colocou papagaio, abacaxi ou clichês.

Ela levou seu DNA (barroco, estruturado, teatral, religioso) e encontrou parceria orgânica com a estética do samba.

Porque adivinha? O barroco brasileiro e o barroco siciliano conversam há séculos.

Ambos nasceram da colonização católica. Ambos são sobre excesso como forma de louvor. Ambos são espetáculo visual como linguagem espiritual.

3. OPERAÇÃO DE NARRATIVA, NÃO SÓ MODA

Isso não é sobre vestir uma celebridade. É sobre inscrever o nome da marca em uma das maiores narrativas culturais do país.

A Dolce & Gabbana agora faz parte da história do Carnaval 2026. Literalmente.

E essa memória vai durar décadas.

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CURADORIA DA SEMANA

📖 Livro: “How Brands Become Icons” — Douglas Holt (sobre como marcas constroem significado cultural, não apenas produtos)

🎧 Podcast: “A História Secreta da Dolce & Gabbana” (The Business of Fashion) — bastidores da construção da marca

👤 Perfil pra seguir: @dolcegabbana (óbvio, mas vale acompanhar como eles documentam alta-costura + cultura)

Um abraço,

Nathália

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NATHÁLIA ENRIQUES

Fundadora da Agência Pólen

→ Instagram: @nathaliaenriques @agencia.polen

→ LinkedIn: /nathalia-enriques

→ Site: www.agenciapolen.com.br

Texto original Polinizando

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